Aluno de 18 anos passa em 1º lugar em direito na USP entre cotistas de escola pública: ‘Surpreso’

01/02/2018 às 08:15.

Gustavo Henrique Luz, de 18 anos, fez o ensino médio no Instituto Federal de Cubatão (SP) e garantiu o feito pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Morador de Praia Grande, Gustavo ficou em 1º no Sisu para direito na USP (Foto: Gustavo Luz/Arquivo Pessoal)

Morador de Praia Grande, Gustavo ficou em 1º no Sisu para direito na USP (Foto: Gustavo Luz/Arquivo Pessoal)

Um adolescente de 18 anos conseguiu o 1º lugar em Direito na Universidade de São Paulo (USP) graças ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Gustavo Henrique Luz, de 18 anos, é morador de Praia Grande, no litoral de São Paulo, e garantiu a primeira colocação em um dos cursos mais concorridos do pais entre 49 vagas disponibilizadas na plataforma para cotistas de escolas públicas.

O feito só foi obtido graças a sua média no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Gustavo garantiu 752,64 pontos, quando a média de corte do Sisu foi 707,20. O jovem, que fez todo seu ensino médio no campus de Cubatão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, conversou com o G1 e afirmou que a ficha ainda não caiu.

“Me inscrevi no Sisu no dia 23 de dezembro e a nota saiu na última semana. Eu não esperava passar de primeira, e acabei passando e em primeiro lugar. Ainda não caiu a ficha”, disse ele.

Segundo Gustavo, a preparação para o vestibular começou em janeiro de 2017, quando precisou deixar o estágio na Defensoria Pública da União, em Santos, para focar nos estudos. Lá, inclusive, foi o local que o fez escolher o direito. “Comecei a focar nos estudos, mas minha cabeça estava cheia, estava pressionado pelo TCC no fim do ensino médio. Eu comecei a me dedicar 100% a isso em junho”, relembra ele, que usou plataformas online e o apoio dos professores para seguir em frente.

“Foi uma rotina. Eu chegava por volta de 13h30 da escola, almoçava, e pegava nos estudos das 14h às 22h”, recorda. Gustavo disse que ainda conseguia se livrar em alguns fins de semana para espairecer. “Ainda consegui assistir duas temporadas de Grey’s Anatomy. Não precisei me livrar totalmente da série para ser aprovado no vestibular”, brinca.

Gustavo ao lado da mãe e da irmã, que comemoraram a conquista (Foto: Gustavo Luz/Arquivo Pessoal)

Gustavo ao lado da mãe e da irmã, que comemoraram a conquista (Foto: Gustavo Luz/Arquivo Pessoal)

As cotas ajudaram

Neste ano, além de o Sisu ter aumentado o número de vagas ofertadas, a plataforma estreou a modalidade de cotas para quem cursou ensino médio em escola pública, ou for autodeclarado preto, pardo e indígena. Enquadrado na modalidade, Gustavo diz concordar com as cotas.

“Eu concordo porque a proporção da população negra, parda e indígena no Brasil não tem representatividade dentro das universidades brasileiras diante da branca, principalmente se você analisar o retrospecto nacional. As universidades públicas nacionais são muito elitizadas. Ter inclusão e diversificação é sempre bom”, afirma.

Quando soube do resultado, a reação dele e da família foi imediata. “Minha mãe ficou muito feliz, chorou bastante. Todos estão dando parabéns. Essa semana estive em um restaurante e o garçom me disse que me viu no Facebook, o pai de uma amiga em comum soube que passei. Eu fiquei surpreso”, conta.

Agora, Gustavo se prepara para se adaptar à nova rotina. “Vou me mudar para São Paulo. Ficarei na casa de uma amiga da minha mãe lá por enquanto. Quero aproveitar ao máximo a faculdade e aproveitar a oportunidade. Estou muito feliz”.

Via: G1