Alguns xaropes podem fazer tosse simples “virar” doença séria, diz médico

14/08/2019 às 09:10.

A tosse é uma condição familiar tanto para adultos como para crianças e, no segundo caso, acaba gerando bastante preocupação entre os pais.

A tosse geralmente é encarada como um sinal de que algo não está correndo bem no organismo mas, mais do que isso, sua presença é um mecanismo de defesa, como explica o pediatra Flávio Melo.

A importância da tosse

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Aaron Amat/shutterstock

De acordo com o especialista, a tosse é um dos mecanismos que o corpo lança mão para expelir o catarro que é formado durante uma agressão à árvore respiratória. Além dela, há pequenas estruturas na sua superfície que empurram o muco em direção à parte superior.

Ao longo do processo inflamatório das vias aéreas, o muco ou catarro vai desidratando, tornando-se mais grosso e aderente e, por isso, muitas vezes recorremos à expectorantes e a água para ajudar a tornar o catarro mais fino e, consequentemente, a permitir que a tosse faça sua função de maneira mais eficaz.

Tosse que protege

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decade3d – anatomy online/shutterstock

Como podemos perceber, a tosse desempenha um papel importante no combate ao processo inflamatório, de maneira que uma das formas recomendadas pelo pediatra para lidar com ela, é sempre recorrer a lavagens nasais.

Ainda assim, é muito comum utilizarmos outros medicamentos quando a tosse bate na nossa porta e, em alguns casos eles podem piorar o quadro.

Medicamento controverso

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Barabasa/Shutterstock

Flávio Melo explica que, muitas vezes a tosse não é encarada como um mecanismo de defesa e, por isso, encontramos remédios que visam combatê-la. Esses remédios costumam ser vendidos nas farmácias a agem como um sedativo para a tosse, os mais comuns no mercado são: evodropropizina, a dropropizina, a cloperastina e o dextrometorfano.

De acordo com o profissional, essas medicações agem suprimindo o reflexo da tosse o que, ao invés de resolver o problema, pode aumentá-lo, pois geram um acúmulo de catarro permitindo que mais bactérias se proliferem. Com isso, há mais chances do resfriado “virar” pneumonia, sinusite, otite e outras “ites” mais.

Flávio Melo também enfatiza que o uso de xaropes em crianças maiores de 2 anos é uma exceção total, alguns protocolos os indicam em tosses secas pós-infecciosas que estejam desencadeando vômitos recorrentes e comprometimento do estado nutricional.

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Muita promessa e propaganda, pouca ciência e riscos que não podemos ignorar. Assim é o mercado do tratamento da tosse, por um lado, prateleiras cheias de medicamentos de venda livre e por outro pais sedentos por aliviar o sintoma tão incômodo, mas na maioria das vezes protetor, como você já deve ter aprendido nas partes antecedentes. Nós pediatras, ficamos no meio desse fogo cruzado, recebendo olhares tortos quando insistimos que na maioria das vezes as medidas básicas, como instilação nasal de soro e nebulização, elevação da cabeceira da cama, hidratação e no máximo um xarope caseiro ou colherinha de mel (para maiores de 1 ano), resolvem a maiorias dos casos. Mas prefiro que você conheça os medicamentos mais prescritos para tosse, suas eventuais indicações e seus possíveis problemas e riscos. Não irei citar nomes comerciais, pois além de não considerar ético expor uma marca e outra não, não caberia no texto citar uma por uma. Os primeiros são os SEDATIVOS DA TOSSE e começo por eles para avisar logo que não devem ser prescritos em 99% das vezes e nunca em menores de 2 anos de idade. Os mais comuns no mercado são a levodropropizina, a dropropizina, a cloperastina e o dextrometorfano. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Agem suprimindo o reflexo da tosse e como você já sabe que esse reflexo é protetor, na maioria das vezes sua supressão ao invés de resolver o problema, pode aumentá-lo, pois catarro por muito tempo acumulado, é o que as bactérias mais querem. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ E daí o resfriado “vira” pneumonia, sinusite, otite e outras “ites” mais. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Além disso, como estes agem no sistema nervoso central, seus efeitos colaterais podem ser desde sedação excessiva, quanto menor for a criança, até distúrbios comportamentais e do sono. Também podem causar arritmias. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ O menino pode até melhorar da tosse, mas pode ficar lelé, bebinho e com o coração pulando. Seu uso, em crianças maiores de 2 anos é uma exceção total, alguns protocolos os indicam em tosses secas pós-infecciosas que estejam desencadeando vômitos recorrentes e comprometimento do estado nutricional. Amanhã, segue com os mucolíticos e fluidificantes. ————————- #pediatradofuturo #pediatria #prevenção #tosse

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Segundo informações do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, o hábito da automedicação quando falamos de xarope, o que pode contribuir ainda mais para a complicação do quadro. Ela explica que, quando usados de forma prolongada ou em altas doses (esses valores variam conforme cada medicamento), também podem causar alterações da pressão arterial e até infarto ou angina – dor no peito causada pelo enfraquecimento dos músculos do coração.

Recomendação

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mamaza/shutterstock

A instituição afirma que diante de qualquer tosse é importante compreender o motivo antes de querer atacá-la – até porque se trata de um mecanismo de proteção.

Se a tosse persistir por mais de duas semanas ou vier acompanhada de catarro, é importante buscar ajuda de um médico e hidratar e limpar o nariz com soro fisiológico ao longo de todo o dia.

Via: Vix