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Advogado negro é barrado em casa noturna do Batel por “parecer um segurança”

17/07/2017 às 09:21.

Frequentador, segundo funcionário que o atendeu, seria confundido se entrasse no local

Juliano Trevisan, 27, foi barrado na entrada de uma boate em Curitiba por causa da roupa | Reprodução Facebook

Juliano Trevisan, 27, foi barrado na entrada de uma boate em Curitiba por causa da roupa Reprodução Facebook

Um advogado negro foi barrado na entrada de uma casa noturna em Curitiba, na noite de quinta-feira (13), por causa da roupa que vestia – uma camisa social preta e uma gravata da mesma cor. Segundo o funcionário que o abordou, o frequentador “parecia um segurança” e iria ser confundido no interior do local, o James Bar, no bairro Batel. “Eu fiquei tão bobo que não tive reação”, contou Juliano Trevisan, 27, à Folha. “Ele me olhou dos pés à cabeça e disse isso.”

Trevisan se retirou do local, sem reclamar, e diz que “a ficha só caiu” minutos depois. “É engraçado, porque no início você se culpa. Pensei: poxa, poderia mesmo ter trocado de roupa. Aí que veio a noção do absurdo.”

Ao chegar em casa, ele postou uma carta ao bar nas redes sociais. O estabelecimento se retratou, pediu desculpas pelo ocorrido e demitiu o funcionário.

Em nota, o James Bar informou que foi “uma atitude arbitrária”. Isso “não condiz com o que acreditamos”, afirma o comunicado.

Trevisan, natural do interior do Paraná, é advogado e trabalha como diretor de marketing de uma escola. Também tem um canal no YouTube, onde fala sobre preconceito e empoderamento negro. Com tatuagens, barbas e cabelo dreadlock, classifica seu estilo como “excêntrico”. “Infelizmente, a nossa sociedade é muito visual; está pouco preocupada com o que as pessoas têm a oferecer”, afirma.

Para ele, que diz ter recebido mensagens de dezenas de pessoas que passaram por situações parecidas, “preconceito não é mimimi”. “Sempre que isso acontece, passa um filme na minha cabeça; e é isso que ninguém entende”, comenta, lembrando de outras situações de discriminação. “Tem gente que vira para mim e fala: foi só isso? Mas nunca é só isso”, sustenta.

Via: Gazeta Do Povo