Acabar com o emprego dos cobradores de ônibus não deve reduzir a tarifa da passagem

27/11/2018 às 08:26. Comente esta notícia!

Presidente da Urbs explicou que substituição pela bilhetagem eletrônica reduziria custos, mas possibilitaria, somente, que o valor para o usuário permaneça estável por mais tempo

A possível extinção dos cobradores do sistema de ônibus de Curitiba poderia, segundo o presidente da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), reduzir o valor da tarifa técnica do transporte coletivo da capital em R$ 0,80. Atualmente, a tarifa está em R$ 4,71, mas a passagem paga pelos usuários fica em R$ 4,25. A diferença vem sendo coberta pela Urbs por meio do subsídio dado pelo governo estadual ao sistema, por causa da integração com as linhas da Região Metropolitana de Curitiba.

Em entrevista, Ogeny Maia Neto explicou que 54% do custo do sistema de ônibus vem dos gastos com pessoal. No entanto, a substituição dos cobradores pela bilhetagem eletrônica – que, segundo a Urbs, acontecerá de forma gradativa – não significaria que a passagem para o usuário iria diminuir. “A economia com o uso exclusivo do sistema eletrônico possibilitaria que segurássemos o valor da passagem por mais tempo. Os custos vão seguir acontecendo, o que acarreta reajuste na tarifa, inevitavelmente”, disse.

De acordo com a Urbs, os cobradores somam 3.424 funcionários – número distinto do divulgado pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), que afirma que a categoria reúne seis mil pessoas. “O sindicato vem inflacionando esse número. É claro que nós, como gestores públicos, não queremos ver uma demissão em massa, e para isso estamos fazendo um planejamento”, afirmou Ogeny.

Tramitação e conflitos

O projeto que permite que todo o sistema de ônibus de Curitiba funcione somente com a bilhetagem eletrônica foi enviado à Câmara de Vereadores pelo prefeito Rafael Greca (PMN) ainda em outubro. Pela lei atual, só podem funcionar sem cobradores os micro-ônibus e os veículos que param em estações-tubo. Desde que foi protocolada, a proposta vem sendo debatida pelos parlamentares e tem gerado protestos organizados pelo Sindimoc, que apelidou o novo texto de “Lei do Desemprego”.

Na sessão da última terça-feira (20), o vereador Rogério Campos protocolou um pedido para votar o projeto em regime de urgência, mas acabou adiando o requerimento por cinco sessões. Se continuar tramitando normalmente, o projeto deve ser votado somente em 2019.

Na entrevista concedida na quarta (21), o presidente da Urbs afirmou que a prefeitura está trabalhando junto aos vereadores para que eles entendam o objetivo do projeto e, além disso, que “não haverá demissão em massa”. “Infelizmente o sindicato tem vendido uma informação que é errada. O cobrador é um custo hoje para o sistema, mas prevemos que a substituição seja feita ao longo de quatro anos”, explicou.