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Abortivo proibido no Brasil é vendido no Camelódromo

02/05/2019 às 08:18.

Ambulante oferece remédio abortivo proibido no Brasil desde 2005Foto: Gabriel de Paiva

“Cytotec, Cytotec. Iphone 7 e 8 novinhos e baratos”, apregoavam na terça-feira de manhã, no Camelódromo da Rua Uruguaiana , mais de dez vendedores. A poucos metros de guardas municipais e de policiais civis e militares que participavam de uma operação de choque de ordem em ruas do Centro, eles ofereciam o remédio, cuja venda é proibida no país, e os telefones de procedência duvidosa, sem serem incomodados.

Proibido no Brasil desde 2005, o Cytotec era originalmente utilizado para tratar doenças gástricas, mas, devido à sua ação abortiva, as vendas foram suspensas. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a comercialização do medicamento é crime hediondo, com pena de até 15 anos de prisão. O remédio contém um princípio ativo abortivo que, legalmente, só pode ser utilizado em maternidades, com uso supervisionado.

No início da tarde, na sede da Associação Comercial do Rio, não muito longe do local onde ambulantes cometem irregularidades há anos, graças a uma fiscalização tão esporádica quanto frouxa, o secretário municipal de Ordem Pública, coronel Paulo César Amendola, apresentou um projeto para a revitalização da área. E reconheceu que o Mercado Popular, como está agora, é dominado pelo crime organizado. A ideia da prefeitura é transformar completamente a área através de uma parceria público-privada e construir, além de um mercado de 8.500 metros quadrados para abrigar os 1.300 ambulantes cadastrados, uma praça pública e um prédio de 17 andares, que seria explorado pela iniciativa privada. O valor estimado do projeto, segundo a Secretaria municipal de Urbanismo, é de R$ 13 milhões, sem contar a construção do edifício, como antecipou o colunista Ancelmo Gois, no GLOBO.