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8 dicas pra ensinar educação financeira com a mesada do seu filho

03/09/2021 às 12:50.

Sabe aquele dinheiro que você costuma dar pro seu filho por mês ou até por semana? Então, a mesada pode ser uma ferramenta importante para ensinar educação financeira de crianças e adolescentes.  

Quanto antes eles aprenderem lidar com o dinheiro de forma saudável, melhor para a vida adulta.   

Ao ensinar uma criança a cuidar do dinheiro, certamente, ela terá maiores chances de administrar melhor o salário, empreender e organizar a vida. Vai saber guardar para comprar mais tarde ou no momento certo, e também a guardar para poupar mais e mais.  

De acordo com o consultor pedagógico da Conquista Solução Educacional, Fernando Vargas, a mesada é um poderoso meio de ensinar educação financeira, já faz com que a criança entenda como organizar um orçamento, definir escolhas sobre como usar o dinheiro e desenvolver um plano de poupança. É uma espécie de “bê-á-bá” das finanças.  

“Em primeiro lugar, é essencial entender que, em cada idade do desenvolvimento, a visão da criança com relação ao dinheiro muda. Em segundo, é preciso ter consciência de que as crianças estão expostas, desde os primeiros anos de vida, a uma cultura consumista e embasada na ideia de que o dinheiro é mais importante que a ética e os princípios morais”, acrescenta Vargas. 

Para ajudar os pais nessa missão tão importante de construir as bases para a maturidade financeira dos filhos, o educador dá 8 dicas.    

1.Regularidade 

Segundo Vargas, a mesada só faz sentido se for dada com regularidade, sempre na quantia e na data combinada, para que a criança seja capaz de planejar os gastos, organizar e ter controle de sua poupança. “Gosto da ideia de ‘semanadas’ para crianças dos 3 aos 10 anos de idade pois, nessa faixa etária, a noção de tempo é mais curta. Dos 3 aos 5 anos, os pais terão a função de habituá-las a esperar para receber e gastar o dinheiro. Deve ser fixado um dia específico e manter a disciplina de respeitar esse prazo para ensinar a criança a lidar com a ansiedade.” A partir dos 11 anos é possível introduzir a mesada. Nessa fase, a noção de tempo já é maior.  

2. Quantidade de dinheiro  

Para o especialista, não existe valor certo nem definido para uma mesada. O ideal é aquele que vai ao encontro do orçamento e da realidade de cada família, sem excessos e variações, para que possa atingir os objetivos da educação financeira. “Sugiro o seguinte cálculo: R$ 1,00 por idade, semanalmente. Por exemplo, cinco anos = R$ 5,00 por semana. E quando passar a ser mensal, multiplicar o valor semanal por 4”, aconselha. Com o tempo, esse valor pode ser revisto e acordado entre pais e filhos. 

3. Evitar barganhas e castigos 

Vargas destaca que é importante nunca usar a mesada como forma de ameaça ou castigo: “Se você não melhorar suas notas eu corto sua mesada” ou “Só lhe darei a mesada se você me ajudar a arrumar a casa”. O objetivo da mesada é ensinar educação financeira para a criança e jovem, deixando que vivam as primeiras escolhas em relação ao dinheiro, não uma troca ou instrumento para chantagem e barganhas.  

4. Dar sentido e significado à prática 

Outro ponto fundamental é sempre justificar o motivo da mesada no dia do pagamento: “Essa mesada é para que você aprenda a lidar com seu dinheiro desde já”. Ao destacar isso todas as vezes, os pais deixam claro que não estão dando aquele valor simplesmente por dar e sim, com o objetivo de aprendizado. 

5. Manter ao alcance dos olhos 

A dica é que a criança coloque o dinheiro guardado em um pote de vidro transparente e com tampa para que ela possa ver o dinheiro aumentando aos poucos, descobrindo, dessa forma, o prazer de poupar. O cofrinho fechado, segundo o especialista, não é uma boa opção, pois impede a criança de avaliar a sua poupança e a quantidade guardada.  

6. Registrar os gastos 

Dos 6 aos 10 anos, os pais devem estimular a criança a registrar, todos os dias, seus gastos em um caderno, no computador ou até mesmo utilizar algum aplicativo para esse fim. Assim ela aprende o vai-e-vem financeiro.   

7. Ensinar a poupar e também a gastar 

Quando já são um pouco maiores, também é importante que os pais ensinem a gastar o dinheiro. “Se os adultos pagam tudo para a criança e não são estabelecidos objetivos, a criança terá dificuldades em saber aplicar e usar bem o dinheiro a seu favor no futuro, além de desfrutar a vida em plenitude emocional”, alerta Vargas. 

8. Permitir os tropeços 

Um dos benefícios da mesada é deixar que a criança experimente as consequências do uso sem controle do dinheiro. “Um dos pontos mais importantes nesse processo de aprendizagem é a falência. Se os pais adotam o sistema de mesada, estão dando chance aos filhos de, ocasionalmente, perderem tudo e aprenderem de maneira prática, antecipada e significativa. E se há uma fase boa na vida para ir à falência é na infância. Diante dessa situação, a criança passará a ter mais controle e disciplina com seus gastos para não deixar acontecer novamente, ou seja, é um aprendizado para toda vida”, explica. 

Por Alexandra Fernandes com informações Assessoria de Imprensa