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Sorriso Maroto lança EP gravado nos EUA

01 de novembro de 2013, 10:20. Tags: . Comente esta notícia!

“Fofura delícia” e “Assim você mata o papai”, os maiores hits do Sorriso Maroto, são prova de que a banda soube se aproveitar das trilhas sonoras. Fazer hits sob encomenda para “Amor à vida” e “Avenida Brasil” fez bem ao grupo, que tem mais de 15 anos de carreira e lança EP que vai além dos pagodinhos bem humorados de novela.

O novo disco “Riscos e certezas” foi gravado no Avatar Studios, em Nova York, por onde já passaram Madonna, John Lennon, Rolling Stones e Ramones. O disco tem participação do americano Brian Mcknight e de Jorge & Mateus. Em entrevista por telefone ao G1, o vocalista Bruno Cardoso conta que buscou “uma excelência de captação de áudio”. Ele diz que faz bem à música brasileira uma banda de pagode gravar um disco em um estúdio mais voltado para o pop rock, com um cantor de R&B e uma dupla sertaneja. “É uma mistura, vai pegando dali e daqui e vai criando um novo estilo. Acho supersadio”, diz o cantor.

G1 – Por que lançar um EP?
Bruno Cardoso – 
É uma tendência. É um comportamento do mercado. No caso do Sorriso, a gente encontrou uma lacuna entre projetos. Hoje o formato é lançar na internet, baixam, ouvem… E daí a gente grava DVD e as pessoas já cantam. A gente viu no EP uma solução bacana de disponibilizar músicas novas do nosso futuro DVD. Apesar de serem seis músicas, é o maior que já fizemos e foi gravado em Nova York. Ele tem conceito artístico.

G1 – Por que ir aos Estados Unidos para produzir o disco? Como isso faz o som da banda ser diferente? Poderia explicar de um jeito que seus fãs entendam?
Bruno Cardoso – 
A gente buscou motivos lógicos. Não é uma jogada de mercado. Em Nova York, tem uma excelência de captação de áudio que nunca vi no Brasil. Tem uma profudindade de estúdio que não encontro aqui. Gravamos todo analógico, não tem Pro Tools [programa para produção de áudio]. A gente batia palma e ouvia o eco. No estúdio Avatar, tirávamos uma timbragem diferente. Baixo, batera e violão foram feitos lá. É do que os gringos entendem. Tudo o que é brazuca (pandeiro, cavaco…) foi feito aqui. Não adianta colocar um cara mais foda para produzir um som brasileiro.

G1 – Hoje o Sorriso faz uma música diferente da que fazia no início?
Bruno Cardoso – A gente está vivendo uma experiência de musicalidade e vem provando de outros sabores. Tivemos participações especiais de Jammil, Gusttavo Lima, Revelação, MC Sapão. Mas cantaram músicas com identidade do Sorriso Maroto. As pessoas curtem de tudo um pouco. É difícil escutar pessoas de uma tribo, está tudo misturado. Elas ouvem músicas de outras culturas, outros lugares. Nossa forma de fazer samba se mistura com outras músicas. A gente usa guitarra, sanfona, violão de doze cordas. São instrumentações que você não ouve em um disco tradicional de samba. O nosso público é mixado.

G1 – O que a parceria com artistas de outros estilos, como sertanejo e R&B, traz de novo ao Sorriso Maroto. E como receber essa influência sem descaracterizar o som?
Bruno Cardoso – As parcerias têm sempre algum sentido. O Brian Mcknight já era parceiro… Eu sempre fiz músicas pensando em como o Brian faria. Isso foi me dando certeza de que tínhamos algo em comum. Mas não sabia se isso era um devaneio. E ele ouviu Sorriso Maroto e disse que era o que ele fazia, mas de um jeito diferente. Ele nunca havia gravado uma música que não fosse dele. Apesar de ser um samba e não R&B, a música tem a ver com ele, teve identificação.

G1 – Em um post recente no blog Pitchfork, há uma discussão sobre algo que o jornalista chama de “Monogênero”. Ele diz que hoje artistas começam em um estilo, mas depois por conta de mercado, produtores, partipações, mudam. Os artistas passaram a ficar parecidos entre si. Acontece no Brasil, com funknejo, parcerias de pagodeiros com sertanejos… O que isso tem de bom e ruim?
Bruno Cardoso –
 Eu acho que só tem coisa boa. A mistura valoriza a música. Hoje você escuta sertanejo e não sabe se é arrocha, sertanejo, funk… É tudo e não é, está criando um novo DNA. A música do Sorriso é um pagode, mas não é oriunda do pagode. Eu não sei mais o que a gente faz. É samba, mas tem uma harmonia diferente. A minha música é mais cantada, a do Zeca é mais rimada. A divisão rítima do Zeca é diferente. É uma mistura, vai pegando dali e daqui e vai criando um novo estilo. Acho supersadio.

G1 – ‘Fofura Delícia’ e ‘Assim você mata o papai’ são dois dos maiores sucessos da banda. E as duas vieram de novelas. Nos dois casos, vocês foram pautados, receberam um tema?
Bruno Cardoso – A partir do sucesso de “Papai”, começou a rolar um flerte maior de diretores de novela com o Sorriso. Eles encomendam música. A da gordinha de “Amor a vida” foi feita sob encomenda. A gente recebe um briefing com a história do personagem e nome do ator. E a partir daí a gente vai criando a música. A gente conta a história da trama. Falamos que ela tem dificuldade sobre a noite de amor. Temos uma preocupação de trazer mais para o nosso ambiente, com um elogio às gordinhas. A gordinha também teu seu valor, seu charme. Há pessoas que gostam de gordinha. Só o Roberto Carlos tinha falado de gordinhas de uma forma bacana. Deu certo para os dois lados. As gordinhas entenderam e na novela deu certo.

G1 – Qual a resposta receberam pela letra de “Fofura delícia”?
Bruno Cardoso – 
No início, a gente ficou com medo de abordar o tema. Tem muita gente que encara como pejorativo. Por quê? Eu não gosto de mulher magra, gosto de mulher um pouco mais cheia. Sou dos que gostam de mulher encorpada. Não queria que entedessem como uma crítica, é uma coisa divertida por causa da novela. A novela aborda a dificuldade de relacionamento, mas queria também elogiar e colocar a gordinha no alto escalão, alto padrão da mulher. Por que o padrão tem que ser a mulher magrinha com marquinha de biquini. Temos gordinhas nos nossos shows que abrem o braço e cantam.

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