Protestos bloqueiam rodovias e abrem cancelas de pedágio

Manifestantes bloqueiam rodovias e ocupam diversas praças de pedágio do Paraná na manhã desta quinta-feira (11), em razão de uma manifestação organizada por diversas centrais sindicais e que se repete em diversas cidades do País, com bloqueios em rodovias de mais cinco estados. Desde o começo da manhã, ruas e rodovias de Curitiba e região, entre elas o Contorno Sul, também estão bloqueadas. O Hospital de Clínicas (HC) funciona parcialmente, e a maioria das aulas na Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi cancelada.

 

 

 

Deixados de lado nos protestos que se espalharam pelo Brasil nas últimas semanas, centrais sindicais e movimentos sociais tentam hoje se reencaixar na agenda das ruas. O Dia Nacional de Lutas tenta resgatar a manifestação “clássica”, com paralisações de serviços, líderes conhecidos e uma pauta preordenada de reivindicações. Embora o rótulo de greve geral seja rechaçado pelos organizadores, há a previsão de que pelo menos parte dos trabalhadores cruze os braços em todas as capitais – dos motoristas de ônibus de Curitiba aos metroviários de São Paulo.

Quem para:

Transporte coletivo – paralisação ainda será confirmada em assembleia, mas indicativo é de que aconteça das 16h às 19 horas.

Hospital de Clínicas – paralisação a partir das 6h30. Serão mantidos serviço de emergência e atendimento a pacientes já internados.

Coleta de lixo – Todos os serviços de limpeza da cidade serão interrompidos das 6h às 19h. A coleta de lixo noturna, que inicia às 19h, deve ocorrer normalmente.

Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), da Petrobras – paralisação de 24 horas (da 0 hora até a meia noite de quinta-feira).

Protesto às 19h

No embalo do ato unificado que acontece durante a tarde da quinta-feira na Praça Rui Barbosa, um protesto marcado pela Frente de Luta pelo Transporte Coletivo deve ter início às 19 horas no mesmo local. A Frente organizou alguns dos maiores protestos que aconteceram durante o mês de junho em Curitiba.

O evento criado no Facebook tinha 3,6 mil pessoas confirmadas até as 16h30 desta quarta-feira. O objetivo é pedir redução e congelamento da tarifa de ônibus em R$ 2,60 em dias úteis e R$ 1 aos domingos; passe livre para estudantes; e viabilização da tarifa zero.

Por voltas das 9h45, manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) começaram uma série de protestos em pedágios de rodovias do Paraná. Até as 10 horas, pelo menos 13 praças foram ocupadas e tiveram as cancelas liberadas. Na BR-376, os postos de cobrança Ortigueira e Umbaú estão ocupados. Já na BR-277, os manifestantes ocupam a praça de pedágio entre Curitiba e Paranaguá. Nesta mesma estrada, no trecho que leva da capital paranaense ao interior do estado, a praça de pedágio São Luiz do Purunã também possui protesto idêntico. Completam a lista de cidades que tem protestos em pedágio: Candói, Corbélia, Cascavel, Nova Laranjeiras, Candói, Guarapuava, Mandaguarí, Arapongas, Jataizinho e Cambará.

A previsão do MST é de que 21 praças sejam ocupadas nesta manhã. O objetivo é exigir a redução imediata das tarifas cobradas pelas concessionárias e agilidade na reforma agrária. Fazem parte da lista das praças de pedágio liberadas, que ainda não tiveram as manifestações confirmadas pelo MST, as cidades de Campo Mourão, Santa Terezinha do Itaipu, Céu Azul, Presidente Castelo Branco, Floresta, Sertaneja, Mauá da Serra, Irati e Lapa.

Perto da fábrica da Volvo, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), um protesto de metalúrgicos bloqueou totalmente o trânsito em ambos os sentidos durante cerca de quatro horas. O tráfego nas marginais também ficou restrito. Uma longa fila de veículos se formou no local, que fica na região do cruzamento da Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira com a Rua Eduardo Sprada. Os funcionários da Volvo saíram da fábrica e se juntaram aos manifestantes das centrais sindicais que convocam o protesto.

Na mesma região, na BR-277, no cruzamento com o Contorno Sul, uma manifestação foi feita por operários próximo ao posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O bloqueio ocorreu na rodovia apenas no sentido interior-capital. O fluxo na região foi liberado mais ou menos no mesmo horário da que ocorreu na Volvo, por volta das 10h30.

A BR-376, na região da fábrica da Volkswagen, também teve restrições no tráfego devido a uma passeata feita por 4 mil trabalhadores. Eles são compostos por parte do quadro de empresas terceirizadas e também da própria montadora. A caminhada se estendeu até por volta das 10 horas. O trânsito primeiro foi bloqueado no sentido Joinville-Curitiba. Na sequência, quando os participantes chegaram ao Contorno Sul, o bloqueio foi invertido e, então, passou a ser no sentido Curitiba-Joinville.

Uma marcha de trabalhadores também deixou o trânsito complicado na BR-277, na região da fábrica da Renault, em São José dos Pinhais. De acordo com a PRF, o trânsito na região foi liberado por volta das 9h45 no sentido Litoral-Curitiba. Os protestantes fizeram uma caminhada até o viaduto do Contorno Sul e então os manifestantes voltaram até a Renault. O fluxo ficou bastante complicado na região.

Na Rodovia do Xisto, manifestantes bloqueiam a rodovia no km 148, entre Curitiba e Araucária. Às 10h45 o fluxo já se encontrava liberado.

Centro de Curitiba

Desde o início da manhã, na região central de Curitiba, segundo a Secretaria Municipal de Trânsito (Setran), o trânsito teve bloqueios devido a aglomerações de trabalhadores. A Avenida João Bettega, a Rua Eduardo Sprada, A Avenida Visconde de Guarapuava, a Avenida Sete de Setembro e a Travessa da Lapa, além das ruas do entorno, foram as que tiveram situações mais críticas.

A partir das 8 horas, o trânsito chegou a ficar totalmente bloqueado na Avenida Getúlio Vargas, entre as ruas João Negrão e a Conselheiro Laurindo, em frente à empresa Cavo. Um protesto de coletores de lixo começou na região e segue em direção à Praça Nossa Senhora da Salete. Durante o dia, o fluxo na região promete ficar complicado, já que os Correios, que também promovem paralisação nesta quinta, vão se reunir na sede da João Negrão. Eles devem partir em passeata, à tarde, até a Praça Rui Barbosa.

Outro grupo que promove passeata ainda pela manhã é o Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Curitiba (Siemaco). Eles se aglomeraram na Rua Duque de Caxias, na região do Jardim Botânico, e promovem uma caminhada pela região central da cidade. Por onde passam, os cruzamentos são bloqueados. Eles foram até à Câmara Municipal, onde chegaram por volta das 9 horas, e devem seguir ainda até o Centro Cívico.

Sobre as manifestações nas fábricas, o presidente da Força Sindical no Paraná, Nelson Silva de Souza, diz que pelo menos nove indústrias estão totalmente paralisadas. Volvo, Renault, WHB, CNH (New Holland), Abraser, Plásticos do Paraná, Perfecta, Cabs e Volkswagens compõem a lista, atualizada por volta das 8h30 pelo dirigente.

HC e UFPR

O HC cancelou os atendimentos eletivos nesta quinta-feira (11), mas o movimento no local é tranquilo. Os funcionários do estabelecimentos relataram que a maior aglomeração de pacientes aconteceu entre 6 horas e 7 horas. A maior parte das pessoas que teriam atendimento hoje foi avisada da paralisação e da necessidade de remarcar consultas e exames.

Na UFPR, maioria das aulas foi cancelada, segundo a assessoria de imprensa da instituição. Apenas o setor de ciências jurídicas, que funciona no prédio histórico da Praça Santos Andrade, não registrava problemas nesta manhã. Os campus Centro Politécnico, Juvevê, Jardim Botânico e Reitoria tinham funcionamento afetado nesta manhã. À tarde também não deve haver aula devido à possível paralisação dos ônibus, conforme a assessoria. Também estão parados todos os restaurantes universitários (RUs) da instituição e os serviços realizados pelos servidores da faculdade estão suspensos.

Ônibus podem parar à tarde

O transporte coletivo pode ser interrompido das 15h às 19h desta quinta-feira (11), em Curitiba, por causa do Dia Nacional de Luta. A definição virá somente em uma assembleia com cobradores e motoristas marcada para as 15 horas na Praça Rui Barbosa.

Essa é uma das possibilidades cogitadas pela categoria e ainda não se sabe, com certeza, qual será o impacto do ato ao transporte coletivo de Curitiba. A duração e adesão à paralisação dos ônibus na capital serão colocados em votação na tarde de quinta, segundo o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Anderson Teixeira.

À princípio, podem parar os ônibus da região central entre as 15h e 19h. Mas, ainda de acordo com Teixeira, os trabalhadores podem optar por paralisar o serviço de todas as regiões e por mais tempo que o previsto até o momento.

“Há uma grande chance de acontecer porque já aprovamos um indicativo de greve na segunda-feira. No caso de aprovação, vamos protestar pelo fim do assedio moral, melhores condições de trabalho nos ônibus e estações-tubo e fim da dupla jornada”, disse.

Como precaução, a Urbanização de Curitiba (Urbs) protocolou uma medida cautelar na Justiça do Trabalho no início da noite desta quarta-feira (10). A intenção é garantir a circulação de uma frota mínima para atender a população, mesmo que os trabalhadores decidam pela paralisação.

O documento protocolado diz que 1.554 ônibus, que representam 80% da frota da Rede Integrada de Transporte (RIT), devem circular no horário de pico (entre 17h e 20h). Fora desse período, a frota deverá ser de 1.658 ônibus, ou 60% do total. Caso haja descumprimento da decisão, poderá ser aplicada multa diária com valor a ser determinado pela Justiça.

A Urbs afirma que não recebeu o indicativo de greve da categoria até a noite desta quinta-feira. O presidente do Sindimoc informou que enviou um ofício para as empresas na segunda-feira (08).

Outras paralisações

Vários serviços podem parar nesta quinta-feira (11) por algumas horas ou durante todo o dia. Organizado pelas centrais sindicais, o Dia Nacional de Luta tem manifestações e assembleias programadas durante toda a quinta-feira. Em Curitiba, um ato único está marcado para a Praça Rui Barbosa, às 16 horas, e promete reunir diversas categorias de trabalhadores. A estimativa das centrais é que 10 mil pessoas passem pelo local.

Nas assembleias, que serão realizadas pelos sindicatos em vários locais de trabalho, os funcionários vão decidir se vão aderir à paralisação ou retornar ao trabalho. Por isso, paralisações de outras categorias só serão confirmadas durante a quinta-feira.

Lixo

O Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação (Siemaco) de Curitiba confirmou, nesta quarta-feira (10), que os trabalhadores farão uma paralisação geral nesta quinta-feira (11), a partir das 6h. A coleta de lixo, portanto, não deve acontecer durante o dia, e será retomada apenas a partir das 19h. A partir de sexta-feira (12), todos os serviços de limpeza devem voltar a funcionar normalmente.

INSS

O Sindiprevs planeja paralisação das agências do INSS a partir da manhã desta quinta-feira. Segundo assessoria da entidade, porém, até as 9 horas não havia nenhum reflexo no funcionamento de todas as unidades da gerência de Curitiba e Região Metropolitana. A única restrição ocorre na Cândido Lopes, no Centro, mas não é devido ao protesto. A partir do meio dia, apenas esta unidade, conforme a assessoria, fechará as portas para uma reunião mensal que já estava previamente agendada.

Quem não vai parar

Os comerciantes não devem fechar as portas, de acordo com o sindicato da categoria. A recomendação, porém, é que os estabelecimentos comerciais fechem as portas caso haja muita gente na rua.

Agências de banco também não devem ser fechadas. Durante a manhã, serão realizadas reuniões em alguns Centros Administrativos dos bancos e à tarde os bancários devem participar do ato na Praça Rui Barbosa, às 16h. O sindicato não fará paralisação nas agências.

Frentistas de posto e estivadores do Porto de Paranaguá não devem fazer paralisações durante a quinta-feira, afirmam o Simpospetro e Sindestiva, sindicatos das categorias. Os trabalhadores são convocados a participar dos atos gerais, mas não devem parar o serviço.

A Prefeitura de Curitiba informou, por meio de assessoria, que os serviços prestados pelas secretarias – com exceção do transporte coletivo e da coleta de lixo – não devem ser suspensos. Escolas e unidades de saúde, por exemplo, devem funcionar normalmente nesta quinta-feira.

O expediente também será normal no Tribunal de Justiça, na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal, que terá reunião da CPI da Urbs a partir das 14 horas.

Em contrapartida, em Porto Alegre, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) anunciou que não vai abrir por causa da paralisação do transporte público.

Na UFPR, IFPR e UTFPR, técnicos administrativos e professores disseram, nesta quarta, que parariam durante o dia, segundo CSB Conlutas. Até as 9 horas, o expediente era normal na instituição, conforme a assessoria de imprensa.

Reivindicações

As manifestações acontecem nesta quinta-feira em várias cidades do Brasil. No Paraná, o movimento é organizado pelas centrais sindicais CSP Conlutas, CTB, CUT, Força Sindical, NCST e UGT.

No nível estadual, os trabalhadores pedem queda das tarifas do pedágio; mudança no sistema de eleição para conselheiros do Tribunal de Contas; sistema permanente de reajuste do salário mínimo regional e regulamentação da profissão de motorista.

As pautas nacionais são redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial; fim do projeto de lei que amplia a terceirização; reajuste digno para aposentados; fim dos “leilões do petróleo”; investimento de 10% do PIB em educação e outros 10% do orçamento da União na saúde; transporte público de qualidade e com preço justo; e reforma agrária.