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Chamado de príncipe, Daniel conta o que o tira do sério

12 de dezembro de 2013, 10:48. Tags: . Comente esta notícia!

“Talvez eu seja o último romântico/ Dos litorais desse Oceano Atlântico”. Os versos da música “Último romântico” são de autoria de Lulu Santos, mas podia ser atribuído para outro técnico do programa “The voice Brasil” : Daniel. O cantor é conhecido por sua gentileza e educação dentro e fora do palco. “O que falta é tempo para as pessoas se darem ao luxo de se importar com o outro ou de se preocupar com um simples gesto. É que a coisa é tão corrida, avassaladora, que isso vai ficando para trás. Quando se deparam com alguém como eu, estranham”, disse ele, em entrevista ao EGO.

No entanto, o cantor garante que também tem seu lado “malvadinho” e que quem mais sofre são as filhas: Lara e Luiza, de 3 e 1 ano, respectivamente. As meninas são fruto do seu relacionamento com Aline de Pádua. “Às vezes, você está falando e elas fazem de conta que não estão ouvindo ou quando você pede para fazerem A,  elas fazem B. Parece que isso é para me testar. Isso acaba me tirando do sério”, contou.

Comemorando 30 anos de carreira, Daniel recebeu a reportagem do EGO nos bastidores dos ensaios do “The voice” para falar sobre o programa, paternidade e saudade do companheiro João Paulo, que faleceu em 1997, após um acidente automobilístico. “Pensei que a saudade fosse uma coisa que com o tempo fosse amenizar, mas é tão intenso quanto. Hoje, ele está mais presente nos meus sonhos. Acho que estaríamos juntos até hoje”. Confira abaixo a entrevista:

Você está completando 30 anos de carreira, uma de suas músicas é a abertura de novela e você ainda é um dos jurados do programa “The voice”. Como avalia este ano?
Um ano mais que especial. Como é bom quando tudo dá tão certo assim, né? É uma felicidade completar 30 anos de história porque tenho a consciência do que isso significa perante um cenário tão difícil e com tantos potenciais, como é a indústria da música.  A gente tem de se moldar diariamente para se manter aceso e vivo.

Antes do nascimento das suas filhas, você disse que pensava em desistir da carreira musical…
Não foi pela questão de dificuldades da indústria. Foi uma coisa minha mesmo, de repensar a vida. Eu não estava bem. Vi uma série de situações que me entristecia e pensei em dar um ponto final na carreira. Mas não iria deixar de cantar. Não me vejo seguindo uma carreira pelo resto da vida. Vai chegar uma hora que vou me dedicar mais à família.

Isso é uma preocupação? Não dar atenção para suas filhas?
Sim. E eu fiquei no máximo longe delas por seis dias. Eu me dei esse luxo e estou conseguindo. Faço algumas loucuras para isso. Acabo o show e corro para pegar a estrada para chegar em casa. Sei que não é certo, mas é a única forma de eu poder viver essa fase da vida delas. Já conversei com vários amigos que se arrependem de não estar presente. E não quero isso para mim.

No programa da última semana, você se emocionou ao falar do João Paulo… 
Putz, é difícil. Lembro dele todos os dias. Não tem como desligar, foram 15 anos juntos. Essa história não teria sentido se não fosse a presença dele. Eu sofro, dou risadas até hoje. Pensei que a saudade fosse uma coisa que com o tempo fosse amenizar, mas é tão intenso quanto. Hoje, ele está mais presente nos meus sonhos. Sonho muito com ele.  Éramos uma dupla de verdade, acho que estaríamos juntos até hoje.

Muito se comenta da sua gentileza. Por que as pessoas se surpreendem tanto com a sua educação? Não acha isso estranho?
Eu não sei. Acho que não é gentileza que falta. É o tempo para as pessoas se darem ao luxo de se importar com o outro, de se preocupar com um simples gesto. É que a coisa é tão corrida, avassaladora, que isso vai ficando para trás. Quando se deparam com alguém como eu, estranham. Mas eu sou assim mesmo.

Considera-se o “Último romântico”?
Não. Nada a ver. Muito pelo contrário. Eu sou mais um romântico. Existem muitas pessoas que nem eu. O mundo é muito grande.

Todo mundo tem um lado bom e outro ruim. Qual é o seu lado “malvado”?
Eu me perco quando vejo algo malfeito. Principalmente, dentro de casa. As filhas, que são jovens demais, acabam me tirando do sério. Mas é o jeito delas e estou aprendendo isso agora. Às vezes, você está falando e elas fazem de conta que não estão ouvindo ou quando você pede para fazerem A e elas fazem B. Parece que isso é para te testar. Isso acaba me tirando do sério. Mas, nossa, eu tenho muita paciência. Mas quando tira… Eu sou bem bravo. Mesmo. Outra coisa que me incomoda é que gosto tudo no lugar, tudo muito certinho, limpinho. Sou meio perfeccionista.

Elas têm mais medo de você do que da Aline?
Elas respeitam os dois. Mas pelo tom de voz e a forma, acho que elas têm mais medo de mim. Eu sou mais rigoroso.

Você já pensa quando elas serão maiores e tiver namorado. Você acha que vai ser ciumento?
Ainda não penso nisso. Mas acho que vou ser. As minhas filhas vieram na hora certa por causa disso. Aos 45 anos, estou mais amadurecido.  Antigamente, não sabia lidar bem com essa coisa de ciúmes. No meu próprio relacionamento. Era algo controlado, mas muito forte. Por isso, acho que vou sentir ciúmes delas.

Hoje você está menos ciumento?
Estou mais tranquilo. Aprendi a lidar. Mas a Lara, por exemplo, já está brincando com essa coisa de namoradinho. “Papai, o fulano diz que quer namorar comigo”. Ela sabe que me provoca e até evita falar.  Mas caramba, como vai ser? Confesso que essa não é a maior preocupação. Só quero que elas sejam felizes. E eu quero estar presente, mesmo elas não querendo (risos). Vou ser um pai cúmplice e companheiro delas.

Você vai lançar uma biografia no próximo ano. O que achou do movimento “Procure saber”?
Existem dois lados da moeda. Às vezes, a informação é colocada de uma forma que não é a verdade. Eu acho que é interessante a pessoa saber do que se trata, para dar seu aval. Por que não? É a história dela que está ali. Mas, ao mesmo tempo, a pessoa tem direito de falar o que quer porque estamos expostos e nos tornamos públicos através do que fazemos. Então, também temos que entender isso. Mas acho que, nesse caso, nunca vai ser algo 100% verídico porque acaba sendo um telefone sem fio.

Você deixaria publicar uma biografia sua, sem que você participasse dela?
É uma coisa que foge das nossas mãos. É que nem alguém que me pede autógrafo com um disco pirata. Eu não deixo de dar. É um fã que esta ali, que reservou o dinheiro dele para isso. Nesta questão da biografia, existem dois lados. Acho que sou meio em cima do muro.

E o “The voice”? Como está sendo para sua carreira?
Muito legal. Consegui encontrar um projeto que acredito, mas confesso que fiquei com muito medo. Não só em julgar, mas como ia fluir essa questão com os outros técnicos. A gente não tinha um laço de amizade. Isso me preocupava muito, mas fui muito bem recebido.

Já teve algum arrependimento?
Já tive. Passei muito mal no ano passado. Fiquei mal, mesmo. Tive até queda de resistência. Eu tive de eliminar o Pedro Leonardo e a Alma, que para mim era uma das grandes cantoras. Aquele dia teve uma confraternização da equipe e dei uma passada lá. Encontrei com os diretores do programa e me abri com eles. Falei que estava mal… Eles se sensibilizaram e me deram oportunidade de fazermos um número com duas pessoas que tínhamos eliminado. Fiquei mais calmo.

Não ficou com medo das pessoas confundirem suas opiniões com a sua carreira?
Não tenho de ter essa preocupação, mas sou bastante cobrado na rua. No aeroporto ou em shows, sempre falam algo.  Mas tudo numa boa. Eu entendo, afinal cada um tem um gosto. Sigo o que meu coração diz. Não existe uma tática. Se existisse, nem precisava passar pelas outras etapas, que já saberia quem seria o vencedor.

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