‘Aposentadoria não é para mim’, diz Laura Cardoso, aos 90

11/10/2017 às 17:37. Comente esta notícia!

Vestido Burberry (R$ 4.995). Loafers Blue Bird Shoes (R$ 449). Colares Ana Maria Montezano (R$ 120) e Diviníssima Acessórios (R$ 290). Brincos Lisht (R$ 15.995). Anel Ivo Minoni na Obra Ipanema (R$ 580). Braceletes Soulier (R$ 59,90, cada) – Nana Moraes

“Vou contar para o meu bisneto, Fernando, que posei para um ensaio de moda!”. Fernando é o xodó da atriz Laura Cardoso, que aos 90 anos, mostrou no estúdio da fotógrafa Nana Moraes que é animada e segura qualquer roupa, situação ou personagem. A ideia de transformar Laura Cardoso na nossa modelo de capa veio junto com desejo de mostrá-la de um jeito meio Iris Apfel, a americana de 96 anos que usa peças muito coloridas, acessórios poderosos e óculos enormes. Mas Laura é tão cheia de personalidade que ditou o tom, levando as imagens para além da proposta de styling. Rodou a saia, levantou as mãos, fez caras e bocas, distribuiu sorrisos e fez todo mundo da equipe se empolgar também.

Laura está prestes a voltar à TV. Ela interpretará Caetana, dona de um bordel em “O outro lado do paraíso”, novela de Walcyr Carrasco, que estreia na Globo no dia 23, no horário das 21h. Vai aparecer de um jeito novo: peruca ruiva, uma pinta no rosto, body e calça de lurex. Apesar dos 75 anos de carreira, quem disse que ela está segura? O frio na barriga continua firme e cada vez mais forte, à medida que o dia da estreia se aproxima.

— Quando as pessoas dizem “Laura, você já sabe”, eu respondo que não. Tenho muito respeito pelo trabalho, pelo meu e pelo dos outros. Não penso que sei tudo. Numa estreia, ainda mais se for de teatro, pareço uma fera enjaulada. Sinto ansiedade, nervosismo. Penso se as pessoas vão gostar. Tenho a coragem de falar sobre o meu medo. Não tenho medo de errar, mas tenho medo de não fazer o melhor que eu posso — diz Laura, que não gosta de ser chamada de senhora e brinca dizendo que “Senhora está no céu!”.

Desde a sua estreia na profissão, nos anos 40, ela nunca ficou muito tempo parada. Ao longo de sua trajetória, entre papéis principais e personagens menores, participou de mais de 120 produções na TV, no teatro e no cinema. Mesmo com o nervosismo que chega junto com cada novo trabalho, Laura nem pensa em parar de atuar.

— Eu gosto muito de trabalhar, é o que me dá ânimo. É vital. Esse negócio de aposentadoria, definitivamente, não é para mim — afirma ela, que mora em São Paulo.

Apesar de ter vestido cheia de entusiasmo cada um dos looks propostos pelo ELA, Laura diz que, no dia a dia, é discreta. Chegou ao estúdio de calça jeans, espadrilles e de camiseta de malha navy.

— Gosto de ser básica. Tenho muita roupa, mas me visto de uma maneira simples. Se preciso estar arrumada, opto por um chemise ou um tailleur. Não que eu seja pudica, mas é porque esse tipo de roupa cai bem em qualquer mulher. É chique. A minha vaidade também sempre foi sob medida. Amo a minha cara, as minhas rugas, as minhas expressões. Tive convites de médicos para fazer plásticas de graça, mas não quis.

Apesar de bem clichê, uma pergunta não podia faltar: qual o segredo para envelhecer bem, pra cima, com vitalidade e bom humor?

— Amar a vida e aproveitar o hoje, porque você nunca sabe qual o seu dia de ir embora. Procuro viver bem o hoje, tanto comigo quanto com os outros. Mas também não posso dar receitas porque não sei muita coisa. Ainda estou aprendendo — diz, Laura, rindo — Nunca tive depressão, não sei o que é. Também fico triste, como todo mundo. A Vida Alves (atriz que protagonizou o primeiro beijo e também o primeiro beijo gay da TV brasileira, que morreu em janeiro, aos 88 anos), uma das minhas melhores amigas, dizia que se eu fosse a um psicólogo ou a um psiquiatra, eu é que enlouqueceria eles — conta.

Apesar de bem clichê, uma pergunta não podia faltar: qual o segredo para envelhecer bem, pra cima, com vitalidade e bom humor?

— Amar a vida e aproveitar o hoje, porque você nunca sabe qual o seu dia de ir embora. Procuro viver bem o hoje, tanto comigo quanto com os outros. Mas também não posso dar receitas porque não sei muita coisa. Ainda estou aprendendo — diz, Laura, rindo — Nunca tive depressão, não sei o que é. Também fico triste, como todo mundo. A Vida Alves (atriz que protagonizou o primeiro beijo e também o primeiro beijo gay da TV brasileira, que morreu em janeiro, aos 88 anos), uma das minhas melhores amigas, dizia que se eu fosse a um psicólogo ou a um psiquiatra, eu é que enlouqueceria eles — conta.

Via: O Globo